Leo Carbonell

I know a guy that knows a guy…

Continuando a série de reportagens sobre os ônibus…

Todos concordariam em dizer que o Rio é entopido de ônibus. E, a grande maioria roda vazio (enquanto poucas linhas vivem apinhadas de gente). É de se esperar então que a quantidade de linhas é grande também. E é, não vou lhes enganar.

Fazendo a análise de dados (data crunching) do que coletei no site da Rio Ônibus verifiquei que a quantidade de linhas que rodam pela Zona Sul é de 98!!! Quase 100!!! Mas, é aí que o leitor se enganaria, numa análise superficial. A marca centenária é facilmente ultrapassada considerando as variações como as “Rápido”, “Via XXX”, e as estranhíssimas linhas que compartilham o mesmo número mas vão a lugares diferentes. Vejam algumas aberrações, lembrando que é só o que circula na Zona Sul:

  • O campeão da multi-linha é o 755, originalmente Gávea-Cascadura. As variações além da original vão de via Ayrton Senna, Estr. da Chácara, Novo Leblon ou mesmo a que chega até a Estr. do Gabinal.
  • Outro campeão de variações é a dupla 484 e 485, este último apelidado pelos frequentadores por 48cheio, por motivos óbvios. Ligam Copacabana a bairros como Penha, Manguinhos, Bonsucesso, Olaria, Pq. Oswaldo Cruz, Fundão e Cordovil.
  • Linhas como a do grupo [121, 123, 125, 126, 128 e 132] fazem praticamente o mesmo caminho de ligar o Centro à Zona Sul percorrendo o mesmo trajeto. A diferença é o ponto de partida (Pça. Mauá, Central ou Rodoviária) e de chegada (Copacabana, Ipanema, Leblon). Ora, já que fazem o trajeto Centro-Sul pelo mesmo caminho, por que não manter os pontos mais distantes (Rodoviária e Leblon), diminuindo de 6 linhas para 1, atendendo o mesmo público? Não tenho acesso a dados de frota de cada linha, porém duvido que, juntando 6 linhas, não se chegasse a uma economia de no mínimo 30% de ônibus na rua, só considerando esses 6 trajetos.
  • O mesmo raciocínio acima vale para outros grupos, como:
    • 409-410: Saens Pena > Gávea/Jd. Botânico
    • 413-415-426: Usina > Leblon/Copacabana
    • 432-433-434-435-464: Vila Isabel/Leblon
    • 570-572-574-584 (e suas “voltas” ímpares): Glória-Leblon

Ainda não tenho recursos mais sofisticados nessa série de reportagens especiais, como ferramentas de interpolação geográfica para mapear especificamente os trajetos e verificar a superposição, mas uma racionalização das linhas é fundamental.

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  • Ônibus – Acima da Inflação

    Os ônibus e o sistema de transporte público do Rio são objetos constantes de meu estudo esporádico e indisciplinado sobre nossa incoerência urbana. Serão foco, também, de uma série de reportagens especiais que o blog fará, trazendo algumas informações curiosas e malditas, que acusam o descaso com a população e a perda de oportunidades que poderiam fazer dessa uma cidade exemplar.

    Não aguardem, porém, ilustres leitores, que esta série de reportagens especiais saiam todo dia, num determinado horário. Se utilizar meu tempo livre só para editar a série completa, deixo de publicar aqui no blog por muito tempo… Somos amadores aqui :-)

    Primeiro dado da série: o preço das passagens no Rio aumentou muito mais do que a inflação desde 1995. Durante o mesmo período a velocidade média dos ônibus diminuiu e o conforto e qualidade do serviço não acompanharam esse salto. Abaixo um gráfico comparando o preço das passagens com o IGP-M. O gráfico apresenta o que seria a comparação de uma passagem regular de 1995 a 2005 e um outro item imaginário que acompanhou fielmente a inflação que naquela ocasião custava o mesmo preço que a passagem.

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  • Pé de Pato, Mangalô, 3 vezes

    Minha curiosidade ainda me mata. Cansado da rotina de andar de ônibus, sem um ipod ou joguinho pra matar o tempo, ampliei minha mania de bisbilhotar a vida dos outros para as viagens gávea-botafogo. Outro dia, sentado numa cadeira, atravessei o olhar para uma senhora no outro banco e vi que ela estava anotando algo que se parecia com uma lista de compras. Mas, alguns detalhes da lista me pareceram curiosos:

    • 5 espelhos
    • Sálvia
    • 5 quindins sem furo no meio

    Isso não me parecia mais lista de compras. Atentei ao detalhe que, no alto do papel estava um nome próprio, Marco Antonio não sei de quê. Aí saquei que tratava-se de mandinga, macumba, trabalho… Passei a olhar pro outro lado :)

    ps. Antes que venha a reprovação, faço isso mesmo. Sempre estou prestando atenção na conversa e movimentações dos desconhecidos à minha volta. Minha “desculpa” é que como não os conheço a informação chega apenas como curiosidade geral, não vira uma informação privilegiada ou invasão de privacidade. Não faço isso com amigos ou conhecidos, fiquem calmos. :P

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  • Ônibus na Rio Branco

    Notícia do Globo de hoje diz que Estado e Prefeitura pensam em abolir o tráfego de ônibus na Rio Branco. Uma imbecilidade! Sou extremamente favorável a racionalização das linhas de ônibus, meio imprescinível numa cidade carente de solução ferroviária, porém o governante não poderia privar NUNCA o interesse coletivo pelo particular. Ora, proíbam então o tráfego de carros de passeio. Possivelmente o efeito será o mesmo, mesmo considerando que os ônibus são mais pesados, visto que a quantidade de carros ali é muito maior do que a de ônibus.

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  • Tudo é passageiro. Menos o motorista (e só)

    Todos os que me acompanham no blog sabem de minha bronca com os empregos garantidos pela legislação. Profissões que já não possuem nenhuma utilidade mas que ainda sobrevivem graças a leis de políticos de olho nos votos da classe. Frentista foi meu exemplo mais clássico. Cobradores de ônibus também figuravam na minha lista. Porém, o que presenciei outro dia foi despropositado. Peguei um ônibus da linha 404, da Viação Alpha, convencional mas com arcondicionado, e lá estava ele: um vazio em frente à roleta. TIRARAM o cobrador. No lugar, tive que pagar a passagem ao motorista que tinha que providenciar o troco, liberar a roleta, olhar pra quem tava subindo, descendo e, não menos importante, dirigir um veículo de mais de 5 toneladas.

    Ora, se quisessem tirar o cobrador, para economizar e tornar a operação mais eficiente (afinal não é caridade, é um negócio como outro) tinham que ter encontrado outra solução. Já tinha visto isso com frescões e micro-ônibus. Mas com linhas regulares não tinha visto ainda e creio que ainda não estamos preparados para isso.

    Em ônibus que já subi no exterior vi alguns exemplos práticos de como poderiam implementar aqui nesse país tupiniquim:

    • recolhimento de dinheiro via uma “vending machine”, com ou sem a emissão de troco
    • pagamento exclusivo via passes de ônibus à venda em bancas de jornais (já existe o vale transporte eletrônico)
    • solução curitibana: pagamento das passagens apenas no ponto de ônibus.

    O que não pode é o motorista fazer algo além de transportar os passageiros com segurança. Motorista-cobrador não dá!

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  • Enguiçado

    Lá venho eu falar de ônibus de novo… :) Mas agora falo como motorista: não é de irritar o fato que o motorista de ônibus, quando seu carro enguiça, ele não faz a menor questão de não atrapalhar o trânsito??? Será tão difícil assim manobrar o grande veículo para o canto???

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  • Sanfoneiro do ônibus

    Outro dia entrei no ônibus, mais uma vez, e logo de cara fui surpreendido por um sanfoneiro animando os passageiros. Definitivamente é um passatempo muito melhor do que as balas de iogurte ou os torrones que os ambulantes tentam vender.

    O sujeito, que se chamava José Adriano tocava de tudo: começou com Roberto Carlos com “Como é grande o meu amor”, passou por músicas italianas (claro), alemãs e o Brasileirinho, clássicos da Parada Gay como “I Will Survive”, Rock’n'Roll e Twiste.

    Fez seu comercial, disse que estava também no orkut (não achei), cobra R$150 a hora para animar a festa (tanto quanto médicos e dentistas) e alegrou a galera. Mais curioso ainda foi que logo depois de eu ter subido no ônibus entrou um PIMBA daqueles brabos, quase hippie, que se animou, tascou uma Melodica da bolsa (Pimbas carregam melodicas na bolsa) e acompanhou o sujeito da sanfona. Mais atrapalhou do que ajudou, mas foi “plus a mais”. Viagem divertida essa!

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  • Fiscal de ônibus

    Reconheço que falo (e escrevo) muito sobre ônibus e trânsito. Talvez devesse ter sido engenheiro de tráfego. Porém lembro de um taxista paulista que conheci que tinha um recalque desses engenheiros (em SP a CET é muito atuante) dizendo que nunca tinha visto uma faculdade de engenharia de tráfego e que não todos não passavam de paspalhões (é, a CET é muito atuante :) ). Aí acho que estou bem sendo administrador (é… essa é a minha formação… de que serve eu ainda não sei :) ).

    Falo muito de ônibus e trânsito pois essa é a minha maior experiência! Ando de ônibus há mais de 20 anos. Nem de educação formal (talvez 18 anos em sala de aula) eu tenho tanta experiência!!! E a experiência é diária: usei carro diariamente apenas durante alguns períodos de faculdade e em um ou outro período de trabalho.

    Bem, voltando :) , eu até hoje não consegui entender a função do fiscal de ônibus. É um sujeito que fica anotando o horário porque cada ônibus de determinada empresa passa por um ponto. Tenho várias dúvidas a respeito deste sujeito: por que alguns anotam também o número da roleta, mesmo depois do bilhete eletrônico? por que outros não sobem no ônibus para anotar o mesmo número? alguém lê ou tabula esses dados? alguém já pensou em automatizar / informatizar essa função?

    Claro que para essas questões devem existir respostas claras (mesmo considerando a administração não-profissional deste setor. Mas ontem percebi uma situação que mostra que às vezes nem a empresa deve saber o motivo: em três pontos seguidos em botafogo havia um fiscal para o qual o mesmo motorista teve que gritar seu horário. Para não me acusarem de falsificador ou exagerado :) digo logo os pontos: praia de botafogo (em frente ao Botafogo Praia Shopping), Metrô Botafogo na S. Clemente, e ponto em frente ao Santo Inácio. A linha era 571, da São Silvestre.

    Creio que algum dia tal dúvida seja sanada :D

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  • Falando no celular

    Bem, todos sabemos que falar ao celular enquanto dirigimos é algo realmente perigoso. Damos nossas indulgências, conjecturamos que estamos parados no trânsito, o trânsito está devagar, que foi só um recado, mas o “bottom line” é que todos já passamos por no mínimo 1 situação de risco enquanto falávamos ao celular.

    Eu adotei uma regra: usar apenas o viva-voz. O meu modelo celular atual usa um viva-voz de verdade, o carro todo escuta e a conversa perde a privacidade. Mas é o melhor modelo. Já utilizei um que era aquele fone. Funciona também (é mais privado) mas requer mais atenção, mas com ele já passei por um momento de insegurança.

    Bem, isso considerando nossos carros, 1ton de perigo. Agora, motorista de ônibus usando celular é algo totalmente fora de propósito! Hoje o motorista do meu ônibus (linha 158, antiga 174) ficou falando (com o veículo a uns 50km/h) por uns 5 minutos. Nesse período ele parou no ponto, trocou de faixa de rolagem, passou por alguns cruzamentos. Na maior liberdade, com certeza de estar certo. Os 40 passageiros sentados é que sentiram-se incomodados… Mas, vida que segue, ninguém reclamou..

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