Pra quem não sabe: é hoje. A data mais importante no calendário deste país estranho chamado Brasil. Nessa data (na verdade, durante a semana inteira) comemora-se a Independência do Brasil que, estranhamente, se desligou de Portugal ao “brado” do filho do então Rei de Portugal, como que numa versão imperial de “Rebelde sem Causa” do Ultraje à Rigor.

Quem me conhece bem sabe que sou um cínico descontente e desmotivado com esse país. Sabe, também, que sou simpático a outros países desenvolvidos, em especial aos EUA. E, fazendo uma auto-crítica, imagino que sou altamente influenciado pelos “mecanismos de imposição cultural” americanos, como o cinema e a grande mídia. Mas, mesmo assim influenciado (e possivelmente distorcido), ainda sou simpático àquela cultura. 

Afinal hoje, no Sete de Setembro, estamos vivendo o mais próximo ao Quatro de Julho americano. E quanta diferença. Sem contar as enormes diferenças na origem dos dois feriados (a independência americana um claro movimento popular enquanto a brasileira algo muito mais doméstico), o que sempre me incomodou foi a reação popular na comemoração da data festiva. Aqui, em minha infância, influenciado por uma ditadura, faziam-se desfiles militares para impressionar ainda mais a população, que assistia passivamente ao sinal de força. Lá, o que sempre vi (uma vez ao vivo) era uma manifestação individual e coletiva, um desejo claro de compatriotas de se “regozijar” uns com os outros, lembrando o passado e confortando-se de que naquele passado estava a base de seu futuro. 

Hoje estive no Forte de Copacabana pra tomar um café da manhã na Colombo, Forte militar, diga-se de passagem. Ao final fomos à própria fortificação, pra quem não sabe, uma pedra enorme na qual foi instalado um canhão ultrapotente, pra proteger a entrada marítima da cidade. Veja aqui no Google Maps. Ora, lá do alto da pedra, percebemos uma movimentação de navios “de guerra” brasileiros, num desfile naval que vem se tornando tradição nos últimos anos. Eram uns 6 ou 7 (tirei fotos nesse set do Flickr). E, na sequência, uma revoada de helicópteros militares também. Um “espetáculo” bacana, bonito de se ver até. Porém a grande maioria das cerca de 50 pessoas presentes ali naquela bela manhã não tinha a menor idéia do motivo daquilo tudo. Nenhuma bandeirinha, nenhuma demonstração de regozijo, nada. As pessoas permitiam que aquele desfile lhes passasse pela frente sem dar o menor valor. Numa demonstração do valor que a data infelizmente tem para o brasileiro, data essa que neste ano não trouxe sequer a alegria costumeira que normalmente traz, na instauração de feriadões que, esses sim, alegram essa nação.