Li recentemente esse livro de FHC. É um pequeno livro, quase de bolso, em que ele, sem fazer uma auto-biografia ou livro de memórias, traz suas experiências endereçadas ao tal jovem político, que queira ingressar nessa profissão, pincelando sempre com fatos de sua história como, na minha opinião, o maior presidente que o país já teve nos últimos 30 anos.

O livro é MUITO bom. Uma aula. O sujeito não perde uma: todas as análises que faz sobre sua administração, seus erros e acertos, suas lições para a vida estão absolutamente corretos. E escreve para registrar na história e reiterar pontos que já tinha defendido. Aliás, eis mais uma qualidade do livro (e do autor): coerência… Ele foi “acusado” de ter proferido a frase “esqueçam o que escrevi” e é justamente o contrário. Ele dá uma aula de sustentação de opiniões, análises de cenário e conduta profissional.

Uma passagem curiosa que ele passa aconteceu curiosamente hoje. Ele conta que, depois de sair da presidência, seus passos continuam vigiados, como se estivesse sempre em campanha. E comenta o fato de um dia ter ido comer um sanduíche na padaria e ficou preocupado se alguém ia dizer isso. E hoje, no O Globo, na coluna do Ancelmo Gois, há uma nota em que ele foi jantar ontem no Cipriani com o Armínio Fraga e mais uma comitiva de economistas. Ué? O cara não podia estar indo jantar com amigos, e por acaso são todos economistas?

O livro é uma carta a um jovem profissional, não apenas político. Talvez mais especificamente um profissional de relações humanas, menos as profissões técnicas, mas daqueles que a arte da política (aliás, outro livro dele, já na minha lista) é fundamental para o sucesso profissional.

Li o livro curiosamente em um dia. Nunca tinha feito isso antes, o que pra mim torna-se um marco, mesmo sabendo que é um livro pequeno (200 páginas em um formato menor que o convencional mas não de bolso). A forma de escrita, porém, é o que faz o livro ser devorado.