Podem dizer o que quiserem, de violência a falta de conforto, mas um dos meus programas favoritos é ir ao Maracanã. Talvez até esses problemas ajudem o programa ficar mais pitoresco. Mas gosto mesmo é de ir ver o futebol e a festa das torcidas. Que espetáculo que elas fazem.

Irá, nessa hora, o ilustre leitor amigo começar a pensar num comentário para me sacanear, já que meu time, o Flusão (que só me dá alegrias há 31 anos), não passa por uma boa situação. É verdade, não há como negar. Mas acalme-se ilustre leitor. O post é da paz.

Gosto de ir ao maraca para ver futebol pois sou fanático pelo esporte. Se um dia for ao clássico caipira de XV de Jaú contra o XV de Piracicaba certamente ficarei nervoso, gritarei com os jogadores, me emocionarei. Adoro futebol. Não importa os times em campo. Agora o campo importa sim. E o maraca é o melhor deles. Acompanho jogos lá desde os 10 anos. Possivelmente fui a tantos jogos de Flamengo ou Vasco quanto fui aos do Flusão. É um programaço.

Recentemente fui na sequência de jogos do Vasco em que o Romário tentava alcançar o milésimo gol de sua carreira. Infelizmente não aconteceu, em 3 jogos seguidos. O sujeito teve uma média de 3 gols por jogo durante o campeonato que até o mais otimista não esperava e não conseguiu fechar a conta em 3 jogos seguidos. Aqui vai uma crítica a essa imprensa esportiva e televisiva, a imprensa do ObaOba: não foram 4 jogos, já que no primeiro, contra o urubu ele teve apenas 10 minutos para tentar, já que entrou em campo com 998 gols. Além disso, um sujeito como o Romário está acima do bem e do mal no que se refere a sua habilidade em fazer gols. Tratar esses 3 jogos como uma “sina”, “calvário” ou “saga”, ou falar que isso levou o time da colina a sua ruína é não só uma burrice estatística e futebolística como também um desrespeito ao baixinho. Existia alguém melhor para o Vasco colocar naquele ataque? Alguém melhor que o Romário? Que time quer marcar gols colocando a equipe no esquema 3-6-1, com ele isolado lá na frente sem receber bolas? Façam-me o favor, respeito a quem merece o respeito.

Bem, numa dessas aventuras recentes no maraca para assistir o Gol 1000 uma das “canções” mostra exatamente o que é o espírito encantador daquele estádio (e provavelmente o espírito de se assistir futebol no mundo inteiro). A música fazia alusão a um acidente acontecido em 91 ou 92, quando parte da amurada que faz a proteção da arquibancada cedeu, tamanha a quantidade de gente naquele jogo, empurrando alguns torcedores em direção a geral, numa queda de mais de 10 metros, causando a morte de 2 torcedores rubro-negros. O acidente é triste (e simbólico do descaso perene com o estádio). Mas é capaz de mostrar como se comportam as torcidas. Neste ano, 15 anos depois do acidente, a torcida cantava uníssona a seguinte canção:

ô balancê, balancê
escute que vou dizer
a festa da raça está em extinção
vocês viram na televisão

coitadinha da raça
a raça do urubu (tomou no cú)
tentou voar no Maraca legal
e caiu na geral

E eu, obviamente, fui ao delírio, pois a cançào sacaneia meu maior desafeto, que normalmente acusa o golpe, tamanha é a ferida não curada. Não cantei, pois não me junto àquela gente lusitana. Mas, ver a torcida favelada sofrer, ah isso vale a pena em qualquer momento!!!