Sou um colaboracionista. Se é que existe essa palavra. Gosto de colaborar, acho que todos devem fazer sua parte. Assim, logo que saí da casa de meus pais, após meu casamento, sem nenhuma experiência em administrar minha própria casa, fui eleito nos braços do povo conselheiro de meu condomínio. Uma glória. Cabe lembrar que na reunião eram apenas 3 participantes, e um deles já se candidataria a síndico pelo enésimo mandato e o outro era também um conselheiro!

No ano seguinte, aí sim, o povo me consagrou síndico com uma votação acachapante de 2 votos. Na verdade, foi mais um empurra do que uma eleição. Mas assumi o tranco. O mandato correu normal, fiz uma obra complicada (bem ao estilo Maluf) de troca de coluna de água (4 ao todo), fui processado como síndico por problemas telefônicos no apartamento de uma moradora, causado pela obra de outra moradora, intimado a depor na delegacia pelo uso indevido de carros na garagem (uma moradora alegava que deixava o carro à noite e no dia seguinte ele estava com 200km rodados a mais), foi um período divertido (pena que não tinha um blog na época!).

Depois deste mandato larguei a sindicância mas ajudava sempre que possível. Quando mudei de condomínio, e com meu exílio em SP, não pude participar mais ativamente deste novo condomínio. Muito menos me candidatarei a síndico deste prédio, com mais de 100 condôminos! Não tenho o tempo necessário. Mas, me candidatei (e fui eleito, novamente, por aclamação popular) a conselheiro do condomínio, numa última reunião no mês passado.

Essa reunião foi definitivamente emblemática do tipo de situação que o ser humano se sujeita. Vou listar alguns dos episódios mais peculiares da reunião:

  • Fui a essa reunião, a propósito, mais com intenção de angariar material jornalístico aqui pro blog do que efetivamente para ajudar. Acabei me tornando conselheiro, mas consegui minha pauta!
  • A presidente da mesa era, por acaso, uma professora de português aposentada. Em determinado momento, quando estávamos analisando detalhes da convenção, ela discorreu um tratado sobre a redação da convenção (que efetivamente estava impróprio) e sugeriu que armássemos uma nova assembléia geral para alterarmos o texto (o que seria impossível, pois precisaríamos encontrar 2/3 do quorum, quando normalmente vão apenas 1/10 dos condôminos).
  • A mesma professora de português praticamente exigiu que se fossem oferecidos cursos como o de dança de salão e hidroginástica, como se fosse obrigação (e não elegância) da síndica.
  • Em determinado momento final o condômino-problema (sempre existe um… este com o agravante de ser ex-síndico-frustrado com a boa administração atual) exige que a síndica obrigue (conforme manda a convenção) os condôminos que possuem animais a prestar contas ao anualmente condomínio de suas obrigações sanitárias (vacinas anti-raiva e afins). Ora, mesmo que a síndica argumentasse a improbidade / inadequação da cláusula da convenção, ele foi incisivo, e tomou outros 15 minutos da reunião, que já demorava em acabar.
  • Outro condômino, das antigas (se é que me entendem :) ) cobrava seu problema particular (do qual eu também sofro porém não o trouxe a pauta): o descredenciamento do Itaú como banco com débito automático. O assunto tomou outros 10 minutos da reunião, mesmo que a representante da administradora explicasse todos os motivos plausíveis de segurança para tal descredenciamento. Chegou-se ao cúmulo de agendarem durante a reunião uma forma para que ele pagasse seu próximo condomínio, já que este estaria viajando de férias!
  • Todo esse desconforto da reunião (mais os 12 meses a frente da administração do condomínio) pela remuneração de menos de 2 cotas de condomínio… Achei pouco, pois ela não tem isenção de 1 cota, ou seja, se “vende” por menos de R$500 ao mês, para todo esse problema. Eu acho que não faria.