A população tem pedido minha opinião, minha outorga, minha profecia sobre o caos que impera nos aeroportos e ares brasileiros. E eu decidi lhe satisfazer esse pedido, com minha análise fria, calculista e precisa.

Fui usuário do sistema aéreo brasileiro durante grande parte deste ano de 2006. Conheço todos os buracos dos aeroportos, todos os sistemas de manipulação de reservas, todas as regras de preços de passagens. Saí-me muito bem nessa jornada, alcançando a melhor média relativa de preços de passagens GIG-CGH da história do trecho. Portanto minhas credenciais me qualificam para dar um basta na discussão amadora que vem se travando nos jornais (principalmente O Globo, dos imperialistas ianques) e encerrar por definitivo o problema!

Brincadeiras à parte :) esse grande problema que se montou mostra que não somos um país sério nem mesmo temos um governo competente:

  • Antes do acidente do vôo da Gol não havia sinais de saturação do controle de tráfego. Pós acidente, sentindo-se pressionados pela opinião pública de que havia um erro em sua conduta no caso específico, essa classe de menos de 1000 profissionais sequestra milhões de usuários do sistema aéreo brasileiro e o governo assim o permite, deixando que eles implementem a “operação padrão”.
  • Não existe um plano de contingência do governo em uma situação como essa: esperou-se (e ainda espera-se) uma solução política. Mesmo que a situação se resolva em alguns meses pode-se esperar que os investimentos em equipamentos e pessoal serão subestimados.
  • A TAM, acusada recentemente de provocar parte do caos, acusada principalmente pelos principais responsáveis, a ANAC, MinDefesa e a INFRAERO, merece minha ressalva, meu indulto, caso realmente seja responsável por um overbooking acima da média. Ela é verdadeiramente uma companhia aérea diferenciada, com um histórico de respeito pelo consumidor muito acima da média, mesmo após a perda de seu grande dirigente. Se tiver sido responsável por parte, está perdoada, do alto de minha potência neste blog.
  • Funcionários da TAM abandonaram os postos de trabalho e os fotógrafos do imperialista ianque O Globo lá estavam para registrar o momento. Agora, onde estavam ao serem atacados pelos enfurecidos consumidores, que ameaçavam (ou iam as vias de fato) esses mesmos funcionários, tão impotentes em resolver o caos nacional quanto o governo?
  • Em resumo: tudo desencadeado pelo sequestro dos operadores aéreos, numa atitude corporativista, em proteção a outros funcionários da classe que, num acidente, num possível erro de operação, podem ter sido também um dos causadores do desastre aéreo. A proteção é válida, ainda mais se levando em conta as condições de trabalho a quais são submetidos, porém não podem fazê-lo à custa de cidadãos comuns, da roda da economia e da paciência geral.

Tenho dito.