Sexta-feira passada, estava comprando um churros (é, eu como churros, não devia, gordo que sou, mas assumo minha falha!) quando um outro barraqueiro que já estava se preparando para ir embora falou com a menina do churros: “Olha só, esse aqui é o dinheiro do guarda, depois dá pra ele por favor.”. Ela, prontamente, colocou a nota de R$5 junto de um maço separado, que ela estava juntando pro guarda. Isso, enquanto eu esperava o meu com receheio de doce de leite.

Isso é comum, já chega a ser parte do cotidiano. E fazia todo sentido: era sexta-feira, 1 real por dia por barraqueiro (que ali nas imediações deviam ser uns 30). A caixinha do guarda é uma instituição de todos os trabalhadores que têm seus negócios na rua, quer legalizados (taxistas, jornaleiros, donos de botequim) ou marginais (à margem, como camelôs, flanelinhas, apontadores de bicho). É a caixinha da segurança.

Não me espantei ao ver tamanha cena infâme, porém cotidiana. Sei que acontece e sei que é a regra do jogo, nesse país miserável, principalmente aqui no RJ. Converso muito com taxistas e todos comentam essa regra. Mas pela primeira vez vi a situação. E cada dia percebo que não há solução, que é um país cada vez mais desprovido de valores. :(